11
Apr
Eles crescem tão rápido.
Aquele acorde característico, aquela nota alcançada seguida de uma nuance quase que padronizada e até aquela palavra que parecia ter se tornado propriedade deles. Tudo isso faz falta quando eles crescem, evoluem e enxergam que o mundo é muito maior do que eles puderam esperar ser. Mas o que eles não esperavam, e nunca vão esperar, é que para nós eles eram esse mundo tão imenso.
Sempre me pego “corrigindo” mentalmente todos os falsos deslizes, ou o que prefiro acreditar que são deslizes, e imagino como se tudo ainda fosse como antes. Como uma culpa prazerosa, eu espero que aquela nova música se molde ao que meu ouvido já se apaixonou inúmeras vezes. Essa redundância conforta e a inovação, que é o que os sustenta, por muitas vezes bate de frente com nossa paixão condicional e platônica.
Foi aquele sotaque que mudou, foi aquela letra que entristeceu e foi o jeito de se exibir ao mundo que se adulterou. Bem ou mal, ainda os amamos não pelo que deixam de fazer, mas por tudo que já fizeram e continuam fazendo de uma mesma forma: com o coração. É isso que faz um grande artista. É isso o que eu gosto de ouvir.





